Todo mundo tem um sonho, todo mundo tem uma série de coisas que quer fazer ou um objetivo que quer alcançar. Alguns sonham grande, outros sonham pequeno, mas a verdade é que isso não importa, a única coisa que importa é a seguinte: quanto mais cedo você começar, mais cedo vai chegar lá.
Eu sempre tive um sonho. Veja bem, eu cresci na oficina do meu pai, um mecânico habilidoso, que além das manutenções rotineiras tinha ainda um hobby: restaurar carros e motos antigas.
E como um desses mistérios da vida, ao longo do tempo, o sonho do meu pai, virou o meu: largar as manutenções, a graxa, os discos e o comum da mecânica automotiva para ir além e ser um restaurador em tempo integral.
Mas tinha só um detalhe, diferente do meu pai, eu nunca fui mecânico, eu nunca nem sequer tinha apertado um parafuso, eu estava até o pescoço em livros para concurso e outros materiais didáticos. Eu queria passar numa prova, queria receber um bom salário e nunca mais me preocupar com dinheiro na vida, mesmo que sem luxos.
Mas a cada página que eu virava, eu lembrava de uma moto, de um carro, de uma camionete ou qualquer outro veículo que meu velho tinha restaurado. Um dia cansei, simplesmente larguei os livros, achei uma oficina de restauradores e disse que queria aprender.
Foi aí que me dei conta, eu não tinha experiência, dinheiro, conhecimento e nem tempo para realizar o meu sonho. Quase desisti, confesso, até que um amigo um dia me disse: “cara, porque você não faz como aquelas pessoas da internet e faz um financiamento coletivo para aprender e abrir essa oficina?”.
Pareceu bobagem de início, mas eu fui adiante. Falei novamente com o dono da oficina e chegamos a uma ideia, comprar carros antigos em péssimo estado, restaurar os mesmos com o financiamento coletivo, vendê-los e doar todo o lucro para a caridade. Eu faria parte de todo o processo, como aprendiz, ele poderia trabalhar a marca da própria oficina localmente, os apaixonados por carro poderiam comprar as obras de arte automotivas e ainda sobraria para caridade.
E assim foi, catei carros, achei parceiros, abri um projeto de crowdfunding e em menos de 1 ano de campanha já tínhamos todo o capital necessário para começar e concluir os trabalhos. A cada veículo que ficava pronto e a cada leilão, recebíamos mais e mais propostas e assim foi até que 3 anos depois, aconteceu. Vendemos o último carro, doamos o último cheque e eu assinei o último contrato da minha vida, de sócio.
Eu consegui, pai, mas não sozinho.







